quinta-feira, 11 de outubro de 2007

COM QUEM SE IDENTIFICAR ?

“Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho, e que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando – vos de que por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.” – At 20: 29 –31.
O apóstolo Paulo ao despedir - se da Igreja em Éfeso, entre lágrimas, fez esta confissão, feita antes apenas por Moisés ao se despedir do povo que durante quatro décadas guiara pelo deserto – confere Deuterenômio 31: 28 – 30 e Jesus Cristo ao seus discípulos – confere Mateus. 24: 4 – 12. Cada um deles, com suas palavras, mostraram a fabilidade humana em relação à permanência e o serviço da igreja na terra como instituição dirigida por homens.
Depois de algum tempo da partida de Paulo, na “grande “ igreja em Éfeso, começou a pipocar os desvios doutrinários. A igreja que João nos apresenta no Apocalipse não tem quase nada que a identifique com a que Paulo mostra anteriormente em sua carta. A igreja deixada pelo apóstolo, a qual é motivo de uma das cartas paulinas mais belas, é nos agora apresentada como quem abandonou o primeiro amor e que na vinda do Senhor será riscada do livro da vida – “ removerei o candeeiro” .
Das sete igrejas nos apresentadas no livro apocalíptico, apenas duas não recebem nenhum tipo de reprovação em seus ofícios religiosos – Esmirna e Filadélfia. Dez eram as virgens que aguardavam o noivo. Cinco delas foram elogiadas e reconhecidas por ele, as outras – as néscias, além de não terem acesso aos aposentos reais, foram de vez afastadas da existência do noivo, o que eqüivale a dizer que também elas foram riscadas do livro da vida, levando em conta que a mulher no contexto judaico não tinha muitas opções, e que de acordo com a lei e os costumes em voga, elas passaram a ser então divorciadas ( conf. Preâmbulo – 2º estágio), e como tal não tinham valor. À exemplo das dez virgens, as promessas do noivo valiam para todas. Inclusive é bom lembrar que até os avisos são idênticos: Todas as noivas ouviram o aviso de que o noivo estava chegando. “Eis o noivo”. À todas as sete igrejas o noivo se identificou anteriormente confirmando a sua vinda.
Nos dias atuais, todas as vozes religiosas estão afirmando em uníssono ser chegada a hora do noivo. A este respeito é bom lembrar que “há sem dúvidas muitos tipos de vozes no mundo, nenhum deles, contudo, sem sentido” – 1Co. 14: 10 e a voz do noivo é inconfundível, pois Jesus afirmou “ Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos” – Jo.: 10:4-5; porém à exemplo das dez virgens muitas igrejas e vidas, caíram num sono espiritual tão profundo que não se apercebem para o fato.
Há uma semelhança entre as virgens néscias e as cinco igrejas restantes, a saber: a ausência do espírito de Deus. Como as néscias, estas cinco igrejas tinham um serviço e uma aparência de piedade. E são exatamente estas duas características que tem norteados as igrejas modernas: Há um serviço – culto de libertação, culto da mordomia, culto da prosperidade, culto da libertação financeira, culto da família, correntes de quebra de maldições e cultos e mais cultos para os mais variados e diversos fins; há uma forma de piedade – tolerância, caridade, assistência social e evangelismo; tudo isto “em nome do senhor”.
Transportamos as virgens néscias e as cinco igrejas restantes para os nossos dias e o que temos:

1 - Igrejas que sustentam as doutrinas dos Nicolaitas :
O nome Nicolau aparece pela primeira vez no NT no livro de Atos – At. 6: 5; e é uma referência à um prosélito integrante da comunidade de Antióquia, que posteriormente teria apostado-se da fé e fundado uma seita que pregava a licenciosidade em matéria de conduta cristã, incluindo o chamado amor livre. Além do amor livre ensinava o povo a comer coisas sacrificadas a ídolos. Amor livre e comida sacrificada a ídolos, foram estas as principais matérias condenadas pelo decreto do concílio apostólico citado no livro de Atos – Atos 15:22 – 29.
Divórcio. Uniões duvidosas, leilões e quermesses pouco convincentes...
2 - Igrejas que sustentam as doutrinas de Balaão:
Balaão aparece pela primeira vez no livro dos Números – Nm.22: 7,17; 25: 5, 31:16, como um profeta que vendia os serviços religiosos buscando lucro pessoal. O erro de Balaão abrange a idéia de qualquer desobediência a vontade de Deus por amor ao lucro material.
“Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça daí” – Mt. 10:8. No ministério da igreja os dons distribuídos por Deus o são feitos de forma gratuita. Deus não visou nenhum lucro financeiro quando distribuiu seus dons. A igreja que permite que seus líderes comercializem a fé do rebanho, sob qualquer pretexto, está incorrendo no pecado de Balaão.

3 - Igrejas que toleram Jezabel:
Jezabel aparece pela primeira vez no livro de Reis – 1ªRs. 16 e 2ª Rs. 9; e tratava-se de uma rainha má que reinou em Israel e tentou estabelecer um culto idólatra à ela mesma, em lugar do culto à Jeová. A Jezabel citada na carta a Tiatira era uma falsa profetiza bem conhecida por seus contemporâneos, cujas ações faziam dela uma equivalente à notória e pervertida rainha israelita.
“E mudaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” Rm. 1: 23. Pregadores e teólogos liberais deram uma nova roupagem ao mal de Édipo. Várias igrejas estão adotando a política da valorização do homem. O pecado do “culto ao homem” não deixou de ser pecado simplesmente porque mudou de nome.
4 - Igrejas com obras imperfeitas e espiritualmente mortas:
“Contudo, se o que alguém edifica é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um, pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um,o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá o galardão” – 1Co 3: 12 – 14
A qualidade do serviço, é o critério usado por Deus para avaliar o trabalho prestado por cada um. Atualmente obreiros sem compromisso com a causa estão desenvolvendo várias incursões com os mais diferentes e atrativos temas teológicos.
Recentemente fiquei conhecendo um pregador de libertação e cura divina, que aproveitando – se do seu físico avantajado e de sua lábia, pelas cidades onde passou deixou lares e vidas destruídas. Apesar de todo este estrago, as igrejas que o convidaram não se deram ao trabalho de avisar ao menos suas co – irmãs denominacionais da conduta deste “pregador”. Conversando com um dos pastores que convidou o referido palestrante, este justificou: “ valeu pelo movimento que foi feito”.

5 - Igrejas sem o azeite do Espírito Santo:
A parábola das virgens, no que toca às insensatas, nos deixa revelar uma aparência de piedade, um mesmo serviço, mas a ausência do elemento divino, o óleo do Espirito Santo em suas vidas.
“Prossegui e lhe perguntei: Que são as duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro? Tornando a falar, perguntei que são aqueles dois raminhos de oliveira, que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado? Ele me respondeu: Não sabes que é isto? Eu disse: Não, meu Senhor. Então ele disse: São os dois ungidos que assistem junto ao Senhor de toda a terra” – Zc. 4: 11 – 14.
A continuidade da igreja de Deus é também garantida por esta visão. Cristo, sua Cabeça, une a igreja verdadeira e o reino em si mesmo, e ela recebe toda graça necessária de sua plenitude. Todo testemunho verdadeiro tem de ser feito no poder do Espírito Santo.
Uma igreja sem o poder do Espírito Santo é uma igreja que tem nome de quem vive, porém está morta – “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto” – Ap. 3: 1c

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