quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O CONTRASTE ENTRE AS VIRGENS

No tempo de Jesus, havia três estágios no processo matrimonial. Primeiro vinha o compromisso, quando era feito um contrato formal entre os respectivos pais da noiva e do noivo. A este seguia-se o noivado, cerimonia feita na casa dos pais da noiva, quando promessas mútuas eram feitas pelas partes contratantes diante de testemunhas, e o noivo dava presentes à sua prometida.
O homem e a mulher ficavam unidos um ao outro pela cerimonia de noivado, apesar de ainda não serem de fato marido e mulher; na verdade, tão obrigatório era o noivado que, se o homem morresse durante o período de sua duração, a mulher era considerada viúva; o cancelamento de um noivado não era permitido; se, porém acontecesse, tal coisa, o procedimento era semelhante a um divórcio. Finalmente, depois do transcurso de cerca de um ano de noivado, havia o casamento, quando o noivo, acompanhado de seus amigos, ia buscar a noiva na casa do pai dela e a levava em cortejo de volta para sua casa, onde se fazia a festa de casamento.
O que diferencia as néscias das prudentes, é a falta de prontidão, é precisamente o fracasso das primeiras em não encararem a possibilidade de que o noivo, o seu Senhor em regresso, pudesse chegar mais cedo ou mais tarde do que espe­ravam. Esta diferença fica patente nos versos três e quatro, onde encontramos a seguinte expressão: “ As néscias ao tomarem suas lâmpadas não levaram azeite consigo, no entanto as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas” . Jesus fez questão de frisar esta diferença: as prudentes, além das lâmpadas, se sujeitaram ao incômodo de levarem consigo vasilhas contendo azeite. É bom lembrar que as lâmpadas, tanto de umas quanto de outras, estavam cheias, porém as prudentes se sujeitaram ao árduo trabalho de levarem mais consigo.
Em Romanos 6: 11, o Apóstolo Paulo nos alerta “ Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” – vagarosos no cuidado. Sem dúvida as virgens néscias anelavam o casamento, porém não queriam ter o trabalho do cuidado, não se preocuparam com os detalhes que a cerimonia exigia.
As lâmpadas tinham que estar acessas, até para o fato do As lâmpadas tinham que estar acessas, até para o fato do reconhecimento, pois no escuro, corria – se o risco do noivo não vê – las, e vice – versa. Jesus afirma que é necessário ter “os lombos cingidos e as candeias acesas” – Lc. 12:35. As néscias não se preocuparam em estar com as candeias ( lâmpadas) acessas.
Nos versos oito e nove, Jesus nos relata que as néscias, na hora da chegada do noivo, pediram o azeite emprestado às prudentes, que prontamente negaram. Mas elas não só negaram, explicaram lhes o porque e ensinaram –lhes onde o precioso produto podia ser facilmente encontrado. Nota – se nas entrelinhas do versículo nove a firme decisão das prudentes: O “não” dado como resposta, nos sugere a firmeza, a determinação, a constância e a prontidão de quem sabe o que quer, onde deseja chegar e que sob hipótese alguma deseja correr riscos desnecessários comprometendo assim sua missão. As noivas prudentes sabiam que não bastava estar à espera do noivo. Não bastava serem possuidoras das lâmpadas. Era necessário estarem atentas e prontas com as lâmpadas acesas embora o noivo ainda não tivesse chegado, afinal, o versículo dez informa que “saindo elas (as néscias) para comprar, chegou o noivo”. Como as néscias, as prudentes ouviram um grito. Alguém havia gritado. É o que nos afirma o verso 6 da parábola. O aviso contido no grito poderia ser falso, ou quem sabe o noivo poderia fazer alguma parada imprevista. Em ambas as hipóteses, demorando além do previsto e acontecendo isto, caso as virgens prudentes tivessem emprestado o azeite, não seriam cinco a ficarem no escuro, porém todas as dez. Estas hipóteses, embora que remotas, não podem ser esquecidas, o que explicaria a prudência das cinco ao proferirem o “não” de forma tão determinada.
A falta de prontidão por parte dos homens em relação às coisas de Deus, tem sido motivo de constante preocupação divina. Apesar de não saber a sua hora, a maioria dos homens, age como se ela nunca fosse chegar: “Como os peixes que se pescam com a rede cruel, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando este cai de repente sobre eles” - Ec. 9:12. A geração de Noé estava tão desaperbercebida que não deu ouvidos à sua voz nem mesmo quando ele começou o árduo trabalho de selecionar os animais por casal e colocá - los na arca. Enquanto o velho patriarca tinha todo este trabalho os homens “comiam, bebiam, casavam e davam – se em casamento”- Mt. 24:38 - isto é, levavam uma vida normal somente com as preocupações imediatistas “e não o perceberam até que veio o dilúvio , e os levou a todos” – Mt. 24:39.
Entretanto, apesar de todo o tempo passado, a palavra de Deus continua nos advertindo para estarmos em constante estado de prontidão: “acautelai – vos por vós mesmos para que não aconteça que os vossos corações se sobrecarreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos pegue de surpresa, como uma armadilha” – Lc. 21:34. A maior diferença entre as virgens prudentes e as néscias está nesta verdade: As prudentes estavam prontas e determinadas quanto à consecução do seu matrimônio. Não se sujeitaram à correr nenhum tipo de risco. “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis... Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar” – 1ª Co 9:24, 26.
Prontidão. Conhecimento correto de causa. Como o apóstolo Paulo, as virgens prudentes sabiam o que queriam e estavam determinadas a alcançar seus objetivos. “Portanto vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora em que o filho do homem há de vir”.

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