quinta-feira, 11 de outubro de 2007

APRESENTAÇÃO - Pr. Otton Lima Carvalho



O irmão Manoel de Jesus, brinda-nos com este livro de Escatologia - doutrina das últimas coisas, um excelente tratado que descreve os acontecimentos futuros, a partir da obra: “As Dez Virgens e a Igreja no Contexto de Hoje” e o arrebatamento da Igreja.
O autor o faz de maneira contundente com a mais simples e poderosa das armas: a palavra do Senhor – verdadeira, invencível e gloriosa.Os dias atuais tem sido palco das mais absurdas heresias, razão pela qual Deus tem implicado em levantar aqui e ali homens que tenham o destemor de delatar as mentiras doutrinárias para que seja “Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”. Manoel de Jesus, situou-se estrategicamente no alerta das escrituras que advertem… “sai dela povo meu”.
Por isso recomendo aos filhos de Deus, o presente tratado, pois ele contém bênçãos para os que o lerem.
Cuiabá – MT, Agosto de 2.007.
*Pr. Otton é ex-presidente da Convenção Batista Nacional em Mato Grosso – CBN/MT , ex- rofessor de; História da Igreja – Eclesiologia e Doutrina das Últimas Coisas – Escatologia, no STEMAT – Seminário Teológico Batista Matogrossense – CBN/MT.Atualmente é pastor da Primeira Igreja Batista Nacional do Coxipó, em Cuiabá – MT.

O AUTOR




MANOEL DE JESUS
Mineiro, mato-grossense e jaciarense, cruzeirense, evangélico de crença cristã, Manoel de Jesus, 58, é jornalista. Poeta desde 1978, escritor desde 1.985, já trabalhou em praticamente todos os níveis de comunicação nas funções de repórter, editor, chefe de reportagem, diretor de redação e assessor de imprensa oficial. Na cidade de Jaciara/MT exerceu o cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação da administração Celso Oliveira Lima e Assessor de Imprensa na administração de Valdeci Luiz Colle – o Chiquinho do Posto, no município de Juscimeira/MT. Ganhou o premio de reconhecimento de jornalista investigativo em 2002. Tem três livros publicados: Caricaturas – poesias, Jaciara Senhora da Lua – história municipalista, e, As Dez Virgens e A Igreja no Contexto de Hoje - escatologia. Casado com a mesma mulher, a professora Mestra Marlene Martins, há 35 anos, tem três filhos muito bonitos, Esdras, Neemias e Joelmir; e um neto maravilhoso - Jordany Maikê.
Viveu grande parte de sua adolescência e mocidade com os padres; capuchinhos ou  jesuítas. Dos capuchinhos herdou o conhecimento, o discurso e o amor pela literatura; dos jesuítas o gosto pela luta e pelos grandes desafios.
E foi graças aos exaustivos ensinamentos bíblicos, pacientemente dissecados, versículos após versículos, que se tornou evangélico de crença cristã e como tal, defensor de uma nova Teologia da Libertação na qual tenta mostrar aos brasileiros ao seu redor, que além deste país corrupto, canibal capitalista e caído espiritualmente, existe um “novo céu e uma nova terra”; com um Brasil onde não existem; políticos, sincretismo religioso, discursos dúbios e falsas esperanças.
Frei Beto, Ernesto Gardenal, Dom Pedro Cassáldaliga, Ariovaldo Ramos, Billy Graham, Ruben Alves e Santo Agostinho são seus escritores preferidos.
Seu grande sonho é a evangelização total dos brasileiros ao meu redor; e em função deste sonho, cremos que só se sentirá realizado quando puder viver plenamente o evangelho dos pobres anunciado por Jesus Cristo.

DEDICATÓRIA

À Deus,
autor e consumador da história.
Minha mãe – Regina Martins de Jesus
– in memorian;
e com especial afeto:
Marlene – esposa,
os filhos;
Esdras;
Josy;
Neemias
&
Joelmir,
coroas dadas por Deus.

AS DEZ VIRGENS

“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas saíram a encontrar – se com o noivo.
Cinco dentre elas eram néscias e cinco prudentes.
As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.
E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono, e adormeceram.
Mas, à meia – noite, ouviu – se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro.
Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas.
E as néscias disseram às prudentes: daí – nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.
Mas as prudentes responderam: Não! Para que não nos falte a nós e a vós outras; ide antes aos que o vendem, e comprai – o.
E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou – se a porta.
Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre – nos a porta!
Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”.
Mt 25: 1 – 13

PREÂMBULO

A situação das virgens relatada na parábola, tendo em vista sua conexão com o contexto apocalíptico, nos leva a crer que as dez virgens representam o estado final da história da igreja na face da terra, tal como a conhecemos hoje. Aliás, Jesus começa a parábola afirmando: “Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens...” – Mt. 25:1”.
O livro de Apocalipse nos mostra sete igrejas – Ap. 2:1 – 3:22, sete noivas à espera do noivo. “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, ataviada como uma noiva para o seu noivo” – Ap. 21: 2. Em várias passagens do Velho e do Novo Testamento, a Igreja é nos apresentada como “noiva do Cordeiro”. Na carta aos Efésios, no capitulo 5 dos versos 22 à 27 o apóstolo Paulo faz uma referência clara e sem contestação da ligação de Cristo com a Igreja sua noiva. Aliás, Paulo entendeu muito bem esta hipérbole – igreja / noiva / virgem, a tal ponto de afirmar à igreja em Corintos que “Estou zeloso de vós com zelo de Deus. Tenho vos preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” – 2ª Co 11:2.
A exemplo das dez virgens da parábola, as sete igrejas apocalípticas nos são apresentadas num todo; com seus defeitos e virtudes, cabendo a nós, povo de Deus, examinar atentamente as escrituras e concluirmos com quais das virgens a igreja ( organização eclesiástica que pertencemos) se assemelha, sem entretanto nos esquecermos que somos parte da Igreja de Cristo e que no interior de cada um de nós há uma igreja “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o espírito de Deus habita em vós?” – 1ª Co 3:16; e que “Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espirito e em verdade” - Jo 4: 24.
Feitas estas observações, respaldados na palavra de Deus “Regozijemos – nos, e alegremos – nos e demos – lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi – lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. E disse – me: Escreve: Bem aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse – me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus”. – Ap. 19: 7 – 9.

O CONTRASTE ENTRE AS VIRGENS

No tempo de Jesus, havia três estágios no processo matrimonial. Primeiro vinha o compromisso, quando era feito um contrato formal entre os respectivos pais da noiva e do noivo. A este seguia-se o noivado, cerimonia feita na casa dos pais da noiva, quando promessas mútuas eram feitas pelas partes contratantes diante de testemunhas, e o noivo dava presentes à sua prometida.
O homem e a mulher ficavam unidos um ao outro pela cerimonia de noivado, apesar de ainda não serem de fato marido e mulher; na verdade, tão obrigatório era o noivado que, se o homem morresse durante o período de sua duração, a mulher era considerada viúva; o cancelamento de um noivado não era permitido; se, porém acontecesse, tal coisa, o procedimento era semelhante a um divórcio. Finalmente, depois do transcurso de cerca de um ano de noivado, havia o casamento, quando o noivo, acompanhado de seus amigos, ia buscar a noiva na casa do pai dela e a levava em cortejo de volta para sua casa, onde se fazia a festa de casamento.
O que diferencia as néscias das prudentes, é a falta de prontidão, é precisamente o fracasso das primeiras em não encararem a possibilidade de que o noivo, o seu Senhor em regresso, pudesse chegar mais cedo ou mais tarde do que espe­ravam. Esta diferença fica patente nos versos três e quatro, onde encontramos a seguinte expressão: “ As néscias ao tomarem suas lâmpadas não levaram azeite consigo, no entanto as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas” . Jesus fez questão de frisar esta diferença: as prudentes, além das lâmpadas, se sujeitaram ao incômodo de levarem consigo vasilhas contendo azeite. É bom lembrar que as lâmpadas, tanto de umas quanto de outras, estavam cheias, porém as prudentes se sujeitaram ao árduo trabalho de levarem mais consigo.
Em Romanos 6: 11, o Apóstolo Paulo nos alerta “ Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” – vagarosos no cuidado. Sem dúvida as virgens néscias anelavam o casamento, porém não queriam ter o trabalho do cuidado, não se preocuparam com os detalhes que a cerimonia exigia.
As lâmpadas tinham que estar acessas, até para o fato do As lâmpadas tinham que estar acessas, até para o fato do reconhecimento, pois no escuro, corria – se o risco do noivo não vê – las, e vice – versa. Jesus afirma que é necessário ter “os lombos cingidos e as candeias acesas” – Lc. 12:35. As néscias não se preocuparam em estar com as candeias ( lâmpadas) acessas.
Nos versos oito e nove, Jesus nos relata que as néscias, na hora da chegada do noivo, pediram o azeite emprestado às prudentes, que prontamente negaram. Mas elas não só negaram, explicaram lhes o porque e ensinaram –lhes onde o precioso produto podia ser facilmente encontrado. Nota – se nas entrelinhas do versículo nove a firme decisão das prudentes: O “não” dado como resposta, nos sugere a firmeza, a determinação, a constância e a prontidão de quem sabe o que quer, onde deseja chegar e que sob hipótese alguma deseja correr riscos desnecessários comprometendo assim sua missão. As noivas prudentes sabiam que não bastava estar à espera do noivo. Não bastava serem possuidoras das lâmpadas. Era necessário estarem atentas e prontas com as lâmpadas acesas embora o noivo ainda não tivesse chegado, afinal, o versículo dez informa que “saindo elas (as néscias) para comprar, chegou o noivo”. Como as néscias, as prudentes ouviram um grito. Alguém havia gritado. É o que nos afirma o verso 6 da parábola. O aviso contido no grito poderia ser falso, ou quem sabe o noivo poderia fazer alguma parada imprevista. Em ambas as hipóteses, demorando além do previsto e acontecendo isto, caso as virgens prudentes tivessem emprestado o azeite, não seriam cinco a ficarem no escuro, porém todas as dez. Estas hipóteses, embora que remotas, não podem ser esquecidas, o que explicaria a prudência das cinco ao proferirem o “não” de forma tão determinada.
A falta de prontidão por parte dos homens em relação às coisas de Deus, tem sido motivo de constante preocupação divina. Apesar de não saber a sua hora, a maioria dos homens, age como se ela nunca fosse chegar: “Como os peixes que se pescam com a rede cruel, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando este cai de repente sobre eles” - Ec. 9:12. A geração de Noé estava tão desaperbercebida que não deu ouvidos à sua voz nem mesmo quando ele começou o árduo trabalho de selecionar os animais por casal e colocá - los na arca. Enquanto o velho patriarca tinha todo este trabalho os homens “comiam, bebiam, casavam e davam – se em casamento”- Mt. 24:38 - isto é, levavam uma vida normal somente com as preocupações imediatistas “e não o perceberam até que veio o dilúvio , e os levou a todos” – Mt. 24:39.
Entretanto, apesar de todo o tempo passado, a palavra de Deus continua nos advertindo para estarmos em constante estado de prontidão: “acautelai – vos por vós mesmos para que não aconteça que os vossos corações se sobrecarreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos pegue de surpresa, como uma armadilha” – Lc. 21:34. A maior diferença entre as virgens prudentes e as néscias está nesta verdade: As prudentes estavam prontas e determinadas quanto à consecução do seu matrimônio. Não se sujeitaram à correr nenhum tipo de risco. “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis... Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar” – 1ª Co 9:24, 26.
Prontidão. Conhecimento correto de causa. Como o apóstolo Paulo, as virgens prudentes sabiam o que queriam e estavam determinadas a alcançar seus objetivos. “Portanto vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora em que o filho do homem há de vir”.

A INÉRCIA ESPIRITUAL

Jesus afirmou duas coisas que caracterizariam o estado men­tal do mundo pouco antes de Seu regresso. Primeiro: “sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade” – Lc. 21:25. Estar angustiado ou perplexo é estar oprimido ou sob pressão. A perplexidade significa “confusão mental”. Daí podemos deduzir que a geração anterior a seu regresso estaria sob uma forte pressão em todos os pontos de vista, e não se veria uma saída para tal estado de coisas. Jesus não leu nada do que escreveram Freud, Sartre, Camus, Huxley, Hemingway ou outros escritores e filósofos. Embora todos eles, de Charles Darwin à Paulo Coelho tentem explicar o atual estado de coisas, até mesmo contrariando em suas explicações o que o Filho de Deus e as Sagradas Escrituras afirmam, nenhum destes “profetas” modernos até agora logrou êxito.
Jesus disse que o mundo atingiria um estado de impasse in­ternacional, quando as nações se enveredariam em constantes becos escuros, só para descobrir que todas elas não tem saída. “Ha­verá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo” – Lc. 21:26.
Atualmente há uma frustração mundial, com guerras contínuas pelos mais variados motivos; todas elas sem decisão. Ao lado de milhões que passam fome, há grande abundância de alimentos. Quando os homens contemplarem o futuro, disse Jesus, não terão apenas medo, “mas ficarão apavorados”.
Em segundo lugar, Ele disse que “Muitos hão de se escanda­lizar, trair e odiar uns aos outros” – Mt. 24:10. Jamais existiu época, como a atual, em que as pessoas se mostrassem, como se mos­tram agora, tão irritadiças, magoando-se e ofendendo-se com tanta facilidade. Os psiquiatras estão tão ocupados que, eles mesmos, acabam tendo esgotamento nervoso enquanto tentam sarar o sistema nervoso da multidão que os procuram. Os la­res tem desabado sob as pressões devastadoras da vida moderna, e em todas as partes do mundo, em função destas pressões, as famílias estão sendo traídas por seus próprios integrantes.
Todo este pequeno quadro mostrado, tem acontecido em função da inércia espiritual em que vive atualmente a humanidade. Um bom exemplo desta inércia é a inversão de valores tão comumente praticada e aceita pelos homens de nossos dias.
“Portanto vêde prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios” – Ef. 5:15